30 março 2015

Quando o amor morre

Esse é mais um texto da série: "O último texto que eu fiz pra ti." Já jurei várias vezes que seria a última vez que eu te escreveria, mas por ironia do destino, nunca é. Mas dessa vez é diferente, da última vez também era, mas eu não queria aceitar. 
Passei a vida inteira me perguntando como seria o nosso tão esperado e temido adeus, até que ele chegou e a sensação de alivio foi maravilhosa. Chegou o dia, em que não há mais a espera para te reencontrar de novo.
Sempre soubesse do meu sentimento por ti, desde o primeiro dia à 7 anos atrás, mesmo que eu nunca necessariamente tenha precisado falar. 
Todo mundo sabe da nossa história, das nossas idas e vindas na vida um do outro, da nossa estrada torta, que em cada curva insiste em se encontrar e desse destino maldito que se chama "nós". Mas "nós" não existe, nunca existiu. E isso não pesa mais em mim, não carrego mais esse fardo comigo.
Tu nunca me amou, se quer chegou a gostar de fato de mim, tu só voltava pela sensação de posse e quando batia a carência. Tu te sentia sozinho e sabia que eu nunca iria virar as costas pra ti. E tu estava certo, nunca virei e nem vou, mas agora é diferente, não irei virar pelo simples motivo de que, não se vira as costas para um amigo e meu amigo tu sempre foi, apesar dos apesares.
Ao contrário de ti, eu te amei, amei mais que a mim mesma, amei imensamente, incontrolavelmente, inteiramente e verdadeiramente. Te amei de um jeito que eu tinha a plena certeza que esse amor nunca iria morrer, ia se perpetuar, mas não foi assim e só hoje eu consegui enxergar melhor o passado e te ver lá sem querer te trazer pro meu presente e futuro. Essa tua última quase volta na minha vida, me trouxe uma sensação de paz e liberdade que fica impossível descrever. Dessa vez tu não teve poder nenhum sobre mim, não ocorreu nenhuma palpitação a mais ou se quer um friozinho na barriga. Foi indiferente, irrelevante. Não teve nenhum tipo de sentimento dessa vez, nem a saudade que costumava a me torturar dia e noite e ecoava na minha alma. 
Tu fez parte da minha vida, fez parte de toda a minha adolescência, fosse o meu primeiro amor no auge dos meus 12 anos, e hoje com quase 20, assumo pela primeira vez, que esse sentimento morreu. Morreu, mas não foi de um dia pro outro, foi sumindo aos poucos que eu nem percebi e nem sei dizer de fato quando acabou. Eu não carrego nenhum rancor ou mágoa de ti, a nossa história foi linda, mesmo que só exista essa história na minha cabeça. Tivemos bons momentos, muitas risadas, histórias compartilhadas, desabafos e sorrisos trocados. Mas tivemos também muitos momentos importunos e pesados, cheio de inseguranças, vazio e choros. Tivemos algumas noites também, foram poucas se conta em dedos de uma mão e ainda sobra, foram noites boas mas não me preencheram. Era tudo o que eu mais queria durante anos, quando enfim aconteceu, não mudou nada em mim.. Pelo contrário, foi mais indiferente do que um aperto de mãos com um estranho qualquer. Nesse momento eu era pra ter ligado os pontos e ter percebido que algo dentro de mim havia mudado, mas eu me negava a aceitar que algo assim pudesse simplesmente acabar, de um jeito tão morno, sem graça, sem sal.. Simplesmente evaporou. Que maneira mais chata de acabar um amor, que na minha cabeça seria "épico", não?
Creio eu que tu plantou tudo isso, não te culpo, afinal nenhum de nós dois fomos culpados por algo. Foi uma ilusão que eu criei sozinha, te dei amor esperando receber o mesmo em troca e esse foi o meu maior erro. Claro, já falasse coisas que de fato tu não sentia, fizesse o mau uso das palavras e isso acabava me enchendo de falsas esperanças, mas toda a dor que essa história me causou, foi porque eu permiti que isso em afetasse, pois eu já sabia lidar com tudo isso e não queria me arriscar, com medo de encontrar outro homem que fosse me ter desse jeito e eu acabasse me magoando de novo. Eu sabia lidar com a dor que tu me causava, mas uma dor nova? Deus me livre, não quero. Vou lá e vou me apegar ao passado. Esse foi o meu maior erro.
Alimentei uma história que já estava morta, insistia em dizer para todos ''eu amo ele, sempre vou amar, mas não me afeta mais." Mentira, o certo seria.. "Eu amei ele, não amo mais."*
Deixava tu invadir a minha vida quando bem entendesse.. Fosse o fator principal para o fim do meu namoro, pois tu sempre voltava e aparecia na minha porta, e eu sempre permitia tua volta e abria ela pra ti. Afastei vários homens que se mostravam realmente interessados, pois eu te trazia pra dentro de todos os meus pseudos-quase-relacionamentos. Perdi bons anos da minha vida, presa na tua sombra. Me tornei amarga, uma pessoa que apreciava a solidão, sombria.. Não deixava ninguém chegar perto e me tocar ao ponto de conseguir ocupar um espaço que era pra ser teu pra "sempre".. Fechei as janelas, tranquei a porta e joguei a chave fora.. Peguei um cobertor e me escondi embaixo da cama, ninguém podia chegar perto, eu tinha que afastar todos. Tinha medo de machucar, medo de começar um relacionamento e tu ressurgisse na minha vida, e medo de deixar alguém gostar de mim e eu retribuir esse sentimento e ter que aceitar, que o teu tempo já passou. O amor morreu na frente dos meus olhos e eu precisei de um beliscão da realidade pra me dar conta disso. 
Hoje arrombaram minha porta e minhas janelas.. Me invadiram de luz e eu reluzo. Hoje eu não tenho mais medo de me entregar, de me arriscar e dar a cara à tapa.. Vou pular, me jogar e deixar que o vento me leve. Tu mesmo dizia pra eu dar chance pra alguém novo, sair um pouco do ''casulo'' e nunca contar a nossa história pra alguém que eu estivesse realmente gostando. Mas a nossa história eu conto pra quem quiser ouvir, porque é o meu maior troféu.. Eu superei. Então se contar ou não, não faz a mínima diferença, pois eu tenho orgulho de poder encher o peito e falar "Isso passou, não me afeta mais."
A partir de hoje o mundo vai conhecer uma nova Bárbara, uma versão bem melhorada de mim.. Eu achava que pra voltar a ser feliz e me sentir bem comigo mesma eu precisava de um novo amor, mas mais uma vez eu estava errada, eu precisava era esquecer o antigo e eu esqueci. Agora eu estou aberta pra conquistarem o meu coração, aberta pra dar e receber o amor. Qualquer tipo de amor, porque eu tinha me fechado para o sentimento em si. Nunca é tarde pra recomeçar e hoje eu irei começar do zero. E antes de eu descobrir que esse sentimento já tinha morrido, eu já estava me permitindo e permitindo que alguém se aproximasse. Hoje eu sorrio de verdade, hoje eu ando leve, e estou irradiando uma luz forte.
Não vou dizer que não tenho nenhum sentimento por ti e que é como se tu não tivesse existido, porque isso seria mentira, tenho por ti um carinho imenso, te desejo tudo de melhor na vida, que tu encontre a mulher certa pra ti, que te faça sorrir e que não precise ser o dia inteiro, mas pelo menos todos os dias. Que tu conquiste o mundo, ame imensamente e aceite esse amor. Se um dia precisares de alguém pra conversar, podes me procurar, serei um ótimo ombro amigo mas nada além disso. Te desejo toda a felicidade do mundo, te desejo tudo o que eu desejo pra mim. 
Tenha uma boa vida, desejo também que as nossas estradas não se cruzem mais e que a gente nunca se queira mal, apenas saibamos aceitar que o nosso tempo já passou. 

Bárbara Martins.